A acumulação das diferenças: Nota arqueológica sobre a relação entre sociodiversidade e biodiversidade na antiga Amazônia

Laura Pereira Furquim

A Floresta Amazônica é uma das florestas tropicais mais extensas e diversificadas do mundo. Ela se estende por cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, ou pouco mais de 3,6% da cobertura terrestre do globo (Cardoso et al., 2017), e abriga formações vegetais tão diversas como as típicas florestas densas maduras, cujas grandes copas sombreiam o solo, ou as savanas abertas com vegetação herbácea, que podem ficar inundadas mais de seis meses por ano. Este ambiente coexistiu com os seres humanos durante pelo menos 12 000 anos (Roosevelt et al., 1996) e pode ter suportado uma população nove vezes maior do que a atual (Koch et al., 2019). Desde o início da ocupação, essa população manejou diferentes espécies vegetais para sua alimentação e diversos usos (terapêuticos, materiais de construção, fabricação de têxteis, alucinógenos, entre outros), transformando até mesmo os solos ácidos quase alaranjados, nos quais a floresta se desenvolve, em terras negras férteis e ricas em matéria orgânica. Hoje, pode-se dizer que se trata de uma floresta humanizada, que passou por um intenso processo de coevolução de seus numerosos habitantes (humanos, vegetais, animais e, para levar em conta a cosmologia ameríndia, não humanos) que modificaram profunda e positivamente sua composição florística, aumentando progressivamente sua diversidade biológica (Balée, 2008; Heckenberger et al., 2007). Este texto trata desse aumento e, para abordá-lo, será necessário sobrevoar essa Amazônia megadiversa e procurar os vestígios das atividades humanas enterradas sob seu dossel.

Investigamos o impacto socioambiental do colonialismo moderno na amazônia

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Esta página web foi realizada com o auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O conteúdo é de responsabilidade do projeto “Entre um passado profundo e um futuro iminente: ação humana e impacto ambiental do colonialismo moderno na amazônia (séculos XVI-XVIII)”, e de modo algum se deve considerar que reflita a posição da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Auxílio à Pesquisa – Proposta Inicial Processo n. 2022/02896-0.

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