24 de junho de 2024 | 8h00 às 9h30
Na ocasião, nosso colega Mark Harris (St-Andrews/Adelaide) apresentou seu livro, que se encontra em processo de finalização. No encontro, discutiu-se a elaboração de uma história etnográfica da Amazônia durante o período colonial, enfatizando os territórios e espaços em vez de identidades e etnicidades. A revisão das dinâmicas territoriais focou nas regiões da Amazônia Leste, calha norte e sul, com uma releitura das sociedades caboclas. Utilizando uma abordagem interdisciplinar, que combinou métodos antropológicos, históricos, arqueológicos e linguísticos, o pesquisador apontou os desafios de abordar identidades frente à mobilidade de grupos e as transformações nas fronteiras. Assim, propôs o mapeamento de três grandes espaços: redes indígenas, espaços coloniais e espaços ribeirinhos, sendo este último mais difícil de definir (próximo ao conceito de middle ground) mas fundamental para entender a Cabanagem.
Esses espaços eram simultaneamente independentes e interdependentes, e as interações entre eles foram cruciais para o desenvolvimento da região. Um exemplo marcante discutido foi o encontro, em 1665, entre uma liderança indígena e o governador do Estado do Maranhão, que visava estabelecer alianças para facilitar a navegação fluvial. Embora essa tentativa de integração tenha falhado, ela impulsionou a criação de novos espaços de interação e resistência. A análise histórica desse episódio demonstra como as dinâmicas territoriais na Amazônia colonial eram moldadas tanto por conflitos quanto por tentativas de cooperação entre grupos indígenas e coloniais.