Notas

Insurreições indígenas nas Américas: Chile (entre 1655 e 1662)

31 de março de 2025 | 8h00 às 10h
Na primeira reunião do ano, Gustavo Velloso (USP) apresentou seu novo projeto, ainda em fase inicial de amadurecimento de hipóteses. A pesquisa parte da análise de uma rebelião mapuche ocorrida no sul do Chile entre 1655 e 1662, inserida em um contexto internacional marcado por diversas insurreições indígenas nas Américas. A proximidade cronológica desses levantes e o fato de o Conselho das Índias por vezes considerar dois ou mais deles em conjunto sugerem que podem ter sido manifestações de uma crise mais ampla. Um mapeamento bibliográfico preliminar revela semelhanças entre esses movimentos, como a participação de grupos multiétnicos, a ressignificação de símbolos cristãos e a presença de lideranças cristianizadas. Além disso, muitos desses conflitos foram deflagrados por disputas em torno do trabalho, do território e do poder, em sociedades já inseridas na lógica colonial e na expansão territorial, sujeitas a intensas reconfigurações sociais e étnicas. A pesquisa também considera a conjuntura internacional de reconfigurações geopolíticas entre os impérios ocidentais, marcada pela ascensão de novas potências econômicas e pelo impacto da crise dos impérios ibéricos. O aumento dos gastos militares e as pressões fiscais sobre as elites locais teriam intensificado a exploração das populações indígenas.

Um dos aspectos inovadores do projeto é a investigação da possível relação entre essas rebeliões e as mudanças climáticas do período, especialmente no contexto da “Pequena Era do Gelo”. Inspirada nas ideias de Geoffrey Parker, a hipótese sugere que a intensificação do fenômeno El Niño e outros eventos climáticos extremos podem ter influenciado a eclosão dessas revoltas — não como causa direta, mas como um fator que impactou a capacidade de adaptação das populações. Para testá-la, serão revisadas fontes primárias, como atas de cabildos e correspondências, em busca de registros da percepção contemporânea sobre esses eventos naturais e seus impactos sociais. Além disso, a pesquisa examinará como o aumento da demanda por mão de obra influenciou transformações ambientais que, por sua vez, moldaram processos históricos.

Ao investigar as insurgências indígenas do século XVII sob a ótica das mudanças climáticas e da transformação territorial, o projeto dialoga com debates contemporâneos sobre a inter-relação entre fatores ambientais e processos históricos. Essa abordagem ressoa diretamente com os interesses do Projeto Amazônia Colonial, que busca compreender os impactos socioambientais do colonialismo moderno nessa região, onde populações indígenas também enfrentaram — e ainda enfrentam — deslocamentos forçados, exploração econômica e reconfiguração territorial em resposta a interesses externos. Ao considerar a interdependência entre fatores ecológicos e históricos, as pesquisas contribuem para uma análise mais ampla dos efeitos de longa duração do colonialismo sobre povos e paisagens, ressaltando como o passado pode iluminar desafios ambientais e sociais do presente.
Investigamos o impacto socioambiental do colonialismo moderno na amazônia

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Esta página web foi realizada com o auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O conteúdo é de responsabilidade do projeto “Entre um passado profundo e um futuro eminente: ação humana e impacto ambiental do colonialismo moderno na amazônia (séculos XVI-XVIII)”, e de modo algum se deve considerar que reflita a posição da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Auxílio à Pesquisa – Proposta Inicial Processo n. 2022/02896-0.
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