Notas

O Trabalho Indígena nas
Missões Jesuíticas do Paraguai

29 de maio de 2024 | 8h00 às 9h30

No encontro, Mickael Orantin, pesquisador na École des hautes études en sciences sociales (EHESS-Paris), apresentou seu trabalho intitulado “Sociedade e trabalho nas missões jesuitas do Paraguai (sec. XVII-XVIII): perspectivas cruzadas desde a historia e a antropologia”.

Durante a reunião, foi abordado o estudo comparativo entre o trabalho indígena nas missões jesuíticas do Paraguai e na Amazônia. Orantin apresentou o Manuscrito de Luján, um documento de 300 páginas escrito em guarani, que descreve o cotidiano do trabalho nas missões paraguaias. Esse manuscrito oferece uma visão detalhada e inédita sobre a organização social e econômica desses complexos missionários, que existiram de 1609 a 1768, chegando a 30 unidades com uma população de até 140 mil habitantes em 1732. As missões eram uma das maiores concentrações urbanas da América colonial. Cada missão, procurando a autossuficiência era gerida com atividades diversificadas que incluíam agricultura, pecuária e artesanato.

O estudo do manuscrito revela que as crônicas jesuíticas, apesar de muitas vezes desacreditadas, fornecem uma reconstituição detalhada da vida cotidiana e do trabalho nas missões. A divisão social e sexual do trabalho, onde os homens eram responsáveis pelas atividades agrícolas e as mulheres pelos afazeres domésticos, era uma prática comum, refletindo a organização espacial dessas missões. A análise desse material permite comparações com o trabalho indígena na Amazônia, servindo como ponto de partida para entender como diferentes formas de organização laboral e social foram moldadas pelas interações coloniais com as populações nativas em várias regiões da América do Sul. O contexto amazônico, por sua vez, era marcado pela maior mobilidade das populações indígenas e pela diversidade nas modalidades de organização do trabalho. Ainda assim, as missões jesuítas no Paraguai oferecem um parâmetro comparativo, pois implementaram um modelo organizacional desenvolvido pelos jesuítas no século XVI e adotado, com diferentes graus de sucesso, em várias regiões e por outras ordens missionárias.

Investigamos o impacto socioambiental do colonialismo moderno na amazônia

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Esta página web foi realizada com o auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O conteúdo é de responsabilidade do projeto “Entre um passado profundo e um futuro eminente: ação humana e impacto ambiental do colonialismo moderno na amazônia (séculos XVI-XVIII)”, e de modo algum se deve considerar que reflita a posição da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Auxílio à Pesquisa – Proposta Inicial Processo n. 2022/02896-0.
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