Workshop de Pesquisa em História Colonial da Amazônia

Encontro realizado em 16 de maio de 2024, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, teve como objetivo estimular a pesquisa sobre a Amazônia colonial. Com um enfoque multidisciplinar, envolvendo história, arqueologia e etnologia, o evento buscou explorar novas perspectivas e metodologias que possam contribuir para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e ambientais da Amazônia durante o período colonial, promovendo apresentação de pesquisas recentes e sessões de treinamento que visam a contribuir para a formação de novos pesquisadores.

EVENTO

PROGRAMAÇÃO

Manhã: 8h ÀS 12h
Novas perspectivas em história colonial da Amazônia
Apresentação e discussão de trabalhos de jovens pesquisadores em níveis diferentes da formação acadêmica. O objetivo é entrar em contato com o fazer historiográfico novo, de forma a podermos vislumbrar a potencialidade da pesquisa em relação a temas, desafios e possíveis contribuições para o campo.
8h: Apresentação
Camila Loureiro Dias (IFCH/Unicamp)
8h15 ÀS 9h: Populações, deslocamentos e dinâmicas territoriais
De redes indígenas a redes coloniais de comércio: deslocamento, guerra, redução e escravidão no oeste amazônico (1686-1750)
Fernanda Bombardi | Doutora pela USP, Professora no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA)
Apresentação e discussão de trabalhos de jovens pesquisadores em níveis diferentes da formação acadêmica. O objetivo é entrar em contato com o fazer historiográfico novo, de forma a podermos vislumbrar a potencialidade da pesquisa em relação a temas, desafios e possíveis contribuições para o campo.
9H ÀS 9h45: Sujeitos indígenas: mulheres e velhos em perspectiva
Receptáculos de memória? Comentários a respeito da velhice indígena nas fontes do período colonial
Gisele Bezerra, Graduanda em História, IFCH/Unicamp
Esta pesquisa de Iniciação Científica teve por objetivo a realização de uma compilação de comentários de cronistas e missionários religiosos sobre velhos indígenas, tendo por recorte fontes da região do Grão-Pará e Maranhão do começo do século XVII até meados do século XVIII. A partir desse esforço compilatório, pretendeu-se examinar a hipótese que dá título à pesquisa, isto é, se os anciões indígenas poderiam ser considerados “receptáculos de memória”, além de outros questionamentos norteadores para a leitura das fontes. Como resultado, foi possível elaborar uma tabela onde se registrou 127 casos de menção a anciões indígenas nas fontes. A partir disso, podemos observar que a categoria de velhos estava envolvida em diversas dinâmicas da sociedade colonial, participando de atividades de trabalho, negociação, resistência, além de terem reconhecidas suas lideranças e influência dentro de suas comunidades pelos próprios missionários colonizadores. Sendo assim, foi possível começar a compreender a singularidade do grupo de velhos indígenas diante dos processos coloniais.
Casamento como política colonial de controle e escravidão indígena – entre a liberdade da união e os interesses em jogo, Maranhão e Grão-Pará (1655-1757)
Flora Cotrim, Graduanda em História, IFCH/Unicamp
Esta pesquisa busca, nas legislações do período colonial, na América portuguesa, as normas e menções sobre casamento, para mapear as mudanças e constâncias dessa política. Usamos como marco inicial do recorte a Visita do Padre Antônio Vieira – Direção do que se deve observar nas Missões do Maranhão, de 1658, e como final o Diretório dos Índios, de 1757 e, como recorte espacial, o Estado do Maranhão e Grão-Pará. Reunimos e analisamos o escopo de leis encontradas e pudemos perceber que o casamento cristão institucionalizado sofreu mudanças nesse período, como a transição da política de incentivo a uniões entre indígenas aldeados para a política de incentivo à uniões entre homens brancos e mulheres indígenas. Também mapeamos um recorrente uso clandestino do casamento como forma de cativar indígenas aldeados, por meio da união com pessoas escravizadas, utilizado pelos moradores locais. Além disso, notamos que, repetidamente, a necessidade da liberdade de escolha dos envolvidos no sacramento é reiterada na documentação oficial, o que nos fez questionar como os indígenas podem ter utilizado dessa liberdade para incorporar o casamento também como uma política de resistência ou para interesses próprios. A pesquisa ainda está em andamento e estamos buscando entender as relações entre as normas de casamento e os contextos mais amplos do projeto colonial e como os interesses em jogo, da Coroa, dos missionários e dos colonos, influenciaram nessa dinâmica. Também buscamos evidências de como o casamento pode ter funcionado na prática, apesar do que era institucionalizado e, nesse sentido, como pode ter existido uma participação ativa dos indígenas envolvidos. Por fim, entendemos que as mudanças de modelos matrimoniais decorrentes da colonização impactaram profundamente as múltiplas organizações nativas existentes e queremos olhar principalmente para as mulheres indígenas, as principais sujeitas envolvidas desde as primeiras uniões.
9h45 ÀS 10h: Coffee break
10h ÀS 11h15: Conhecimentos indígenas: diálogos entre história e arqueologia
Contos vegetais sobre a Arqueologia do Sudoeste Amazônico: um olhar para a alimentação pré-colonial
Laura Furquim, Doutoranda em arqueologia no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP
O Sudoeste Amazônico é uma área de longínquas e diversificadas relações entre pessoas e plantas, desde o início de sua ocupação há cerca de 11.000 anos atrás. Através dos vestígios arqueobotânicos e orgânicos desta região, principalmente das plantas hiperdominantes, é possível recontar narrativas que contém com implicações para a compreensão dos processos de domesticação de plantas e paisagens, da antropização do solo, da demografia regional e das tradições alimentares. Nesta apresentação, buscarei me valer do histórico de longa-duração desta região, para refletir acerca da diversidade das formas de cultivo indígena às vésperas da invasão européia, à luz do debate sobre a intensificação da agricultura. A partir dos “pães-de-índio”, buscarei também abordar a relação entre a alimentação indígena, a circulação territorial e as tecnologias de processamento e armazenagem de alimentos. Os pães são vestígios alimentares que resistem ao tempo e à colonização, funcionando como uma “síntese” das transformações alimentares no que tange a variedade de plantas utilizadas, a importância das espécies silvestres. Por fim, irei focar nas bacias dos rios Madeira e Purus, buscando nos relatos históricos do período colonial narrativas que informem sobre mudanças dos hábitos alimentares e das territorialidades indígenas pré-coloniais. Para tal, iremos integrar dados de sítios arqueológicos com sequências de Terra Preta Antropogênica (TPA), como Teotônio em Rondônia, bem como solos não-TPA, como Sol de Campinas no Acre e etnografias de comunidades Arawak, Tukano e Pano para construir pontes cronológicas que possibilitam uma análise comparativa das interações humanas com as plantas nos períodos pré-colonial e colonial e seus impactos transformadores na paisagem amazônica. Essa abordagem busca abarcar uma história entrelaçada entre pessoas e plantas na Amazônia brasileira, que podem informar discussões contemporâneas sobre sustentabilidade, uso da terra, conservação da biodiversidade e segurança alimentar.
Entre roçados e passados: a Amazônia colonial e os vestígios arqueológicos
Talles Manoel, Doutorando em História na Unicamp
Na colônia portuguesa do Estado do Maranhão e Grão-Pará, foi desenvolvida e aplicada, entre os séculos XVII e XVIII, uma produção agrícola na qual eram apropriados e intensificados costumes, estratégias e técnicas de cultivo com origens indígenas. Nessa produção, usava-se da experiência e de conhecimentos dos povos da floresta para se cultivar alimentos, produzir os chamados “gêneros do sertão”, ou ainda para reproduzir as mesmas plantas que já eram cultivadas nas terras do litoral do Estado do Brasil – como a cana-de-açúcar e o café. Apesar dessa característica, as particularidades da agricultura amazônica foram, por muito tempo, ignoradas ou tratadas como uma questão de menor importância. Isso por essas características não coincidirem com o que se esperava de uma produção colonial, a qual tinha como pressuposto o modelo da plantation – com monocultura, trabalho escravo, e plantio em grandes propriedades. Por não dar conta de explicar as especificidades da agricultura colonial amazônica, a abordagem nos critérios da plantation foi influente, por muito tempo, na promoção de um apagamento nas questões que envolviam o uso do trabalho indígena em contexto colonial, sobretudo no que diz respeito a divisão de serviços agrícolas entre diferentes perfis de trabalhadores, seja em critérios de gênero, de idade, ou de liberdade. Afinal, entendia-se que esses nativos estavam sendo aplicados em meras atividades rudimentares, nas quais não se produziria nada além do que era necessário para a subsistência deles. Diante desse interesse em entender os limites de um modelo, a apresentação pretende elucidar como os estudos arqueológicos nos possibilitam questionar o pressuposto da plantation no âmbito da História da Amazônia portuguesa. Além disso, pretende-se evidenciar como o ambiente também é capaz de nos apresentar o passado, com uma história indígena que precede e percorre a colônia, onde se revela e são desenvolvidas complexas redes em que se circulavam plantas e saberes. Nesse sentido, pretende-se estabelecer um diálogo interdisciplinar entre a Arqueologia e a História, que nos permita repensar o passado da Amazônia, sobretudo para o período colonial.
11h15 às 12h: Comentários
Antonio Guerreiro (IFCH/Unicamp)
Rafael Chambouleyron (UFPA)
Tarde: 14h ÀS 18h
Historiografia e fontes para a pesquisa em História Colonial da Amazônia
Duas palestras ministradas pelo professor Rafael Chambouleyron, Titular da cadeira de História na Universidade Federal do Pará e referência no campo da história colonial da Amazônia. O objetivo é abordar um panorama do desenvolvimento desse campo historiográfico nos últimos 25 anos, associando-o às possibilidades dos principais fundos documentais referentes ao período, ainda a serem exploradas pelas próximas gerações de pesquisadores.
14h às 15h30
Historiografia da Amazônia Colonial: balanço e novas perspectivas
Rafael Chambouleyron, Professor de História da Universidade Federal do Pará (UFPA)
Nos últimos 25 anos, a historiografia sobre a Amazônia e, principalmente, produzida na Amazônia passou por uma importante transformação, fruto, notadamente, da expansão dos cursos de pós-graduação na região norte, centro-oeste e no meio-norte. Ao lado disso, a disponibilização de acervos documentais (em grande medida digitalizados) tem permitido, igualmente, a expansão de pesquisas também sobre o mundo colonial. A comunicação tem o objetivo de examinar esse processo, mostrando os avanços, as tendências que têm animado a produção historiográfica sobre a região e os problemas que ela tem enfrentado
15h30 às 15h45 – Coffee break
15h45 ÀS 18h00
Fontes para a pesquisa em História Colonial da Amazônia: arquivos e fundos documentais
Rafael Chambouleyron, Professor de História da Universidade Federal do Pará (UFPA)
A comunicação busca explorar as possibilidades e potencialidades de pesquisa sobre a história da Amazônia colonial, a partir, principalmente, do processo de expansão de acesso a acervos digitais, tanto no Brasil como no exterior, que foi fundamental para renovar a historiografia nas últimas décadas. Trata-se, assim, de examinar fundos e conjuntos documentais disponíveis, indicar possibilidades de pesquisa e, igualmente, chamar a atenção para as limitações da própria documentação.
Investigamos o impacto socioambiental do colonialismo moderno na amazônia

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Esta página web foi realizada com o auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O conteúdo é de responsabilidade do projeto “Entre um passado profundo e um futuro eminente: ação humana e impacto ambiental do colonialismo moderno na amazônia (séculos XVI-XVIII)”, e de modo algum se deve considerar que reflita a posição da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Auxílio à Pesquisa – Proposta Inicial Processo n. 2022/02896-0.
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